Sinto-me só
E só sinto o que não existe
Mentiras pulsam no meu peito
Na melodia que ignora a dor
Por ser dor por si só.
Sinto-me só
E só sinto pecados mentais
Vida podre sujando o que é bonito
Pra transformar melancolia
Em substantivos e advérbios
Adjetivos de você.
Depreciando
O que finjo que não sou:
Feridas de um coração
Que dói
Para não morar no silêncio.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Dois nomes (ou quatro, se preferir)
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Carolina
Eu me distraí com o seu rebolado, mulata; E, esqueci das promessas bonitas que fiz para mim. Eu me confundi com o seu sorriso, morena. E me perdi, para encontrar o ébano da tua pele; Os cachos dos teus cabelos.
E me peguei como uma tola, em qualquer canto, rindo à toa.
E me peguei como uma tola, em qualquer canto, rindo à toa.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Jennifer Louise (ou o primeiro ato sobre mim)
Tantas doses duplas de veneno
Falta pouco para acabar meu ar
Sinto o relógio correndo ao contrário
E os músculos não saem do lugar...
É língua débil e um sorriso amarronzado
Urina solta e uma falta de mim mesma
Falta saudade e coragem e valor
Falta verdade em atitudes e palavras
E amor.
Não falta mágoa e o que sobra são mentiras
Um barco a vela naufragado no inferno
É um inverno de séculos guardado em semanas
Desilusão sambando louca em minha boca.
É minha vida derretendo nos seus olhos
E minha vida escoando em minhas mãos
Os pés caminham, derrotados, pela lama
Se afundando nessa falta de esperança...
Os braços fracos estão cansados de lutar
Contra essa teia traiçoeira de lembranças
Eu tenho medo de esquecer como esquecer
Estou perdida numa rua de mão única.
Sinto a loucura me empurrando para frente
E a sanidade me pedindo pra voltar
Não há entrada, nem saída, nem minha casa
Me esperando e implorando para entrar.
São só palavras desesperança e tristeza
Me iludindo em pensamentos sem sentido
E eu me giro contra a minha sanidade
Enclausurando ideologia com libido.
Falta pouco para acabar meu ar
Sinto o relógio correndo ao contrário
E os músculos não saem do lugar...
É língua débil e um sorriso amarronzado
Urina solta e uma falta de mim mesma
Falta saudade e coragem e valor
Falta verdade em atitudes e palavras
E amor.
Não falta mágoa e o que sobra são mentiras
Um barco a vela naufragado no inferno
É um inverno de séculos guardado em semanas
Desilusão sambando louca em minha boca.
É minha vida derretendo nos seus olhos
E minha vida escoando em minhas mãos
Os pés caminham, derrotados, pela lama
Se afundando nessa falta de esperança...
Os braços fracos estão cansados de lutar
Contra essa teia traiçoeira de lembranças
Eu tenho medo de esquecer como esquecer
Estou perdida numa rua de mão única.
Sinto a loucura me empurrando para frente
E a sanidade me pedindo pra voltar
Não há entrada, nem saída, nem minha casa
Me esperando e implorando para entrar.
São só palavras desesperança e tristeza
Me iludindo em pensamentos sem sentido
E eu me giro contra a minha sanidade
Enclausurando ideologia com libido.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Sem nome vs. 2.0
Navegue em mim que estou perdida. Oscilando nas ondas do oceano. Perdendo o fôlego a cada respiração. Mar morto; Lágrimas vivas em corrente de um rio. Escuridão. Tudo é escuro. As cores se dissipam e me cegam. As cores se misturam para tornar ausência, arco-íris. O negro se torna alegre e volta a enegrecer.
Não há motivação. E palavras voltam a ser só palavras. Vazias, flutuantes, indecisas. Não sei mais o que eu quero e nem se te quero para mim. Vício. Me autodestruo em você e me satisfaço a cada pequena morte de mim mesma. Sepulto ideais; Me afogo em mares de cerveja; Em bares de oceano.
Navego: Insanidade; Prejuízo; Solidão. O mundo me acompanha, mas estou só. Um grão de areia sufocado por bilhões de outros. Não há ar. Vácuo no meu peito. Nada pulsa. Nem o meu desejo inegável por você...
Não há motivação. E palavras voltam a ser só palavras. Vazias, flutuantes, indecisas. Não sei mais o que eu quero e nem se te quero para mim. Vício. Me autodestruo em você e me satisfaço a cada pequena morte de mim mesma. Sepulto ideais; Me afogo em mares de cerveja; Em bares de oceano.
Navego: Insanidade; Prejuízo; Solidão. O mundo me acompanha, mas estou só. Um grão de areia sufocado por bilhões de outros. Não há ar. Vácuo no meu peito. Nada pulsa. Nem o meu desejo inegável por você...
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Natasha
Estava cega
Presa na agilidade
Das palavras táteis
Palavras que eu
Teimava em não ouvir
E você apareceu
Em tons de cinza
De leve, suave...
Os olhos vidrados
Nas primeiras formas
Que reconhecia há anos
E rastros de cores
Surgiram
Enquanto nossos corpos
Se misturavam
E não eram apenas cores
Eram luzes
Que valsavam entre nós
Se infiltravam
Em nossas peles
Anoiteci
E o despertar
Me trouxe um universo
Novo
Todas as cores
Do meu mundo
Lindas
E, todas elas, refletiam você.
Presa na agilidade
Das palavras táteis
Palavras que eu
Teimava em não ouvir
E você apareceu
Em tons de cinza
De leve, suave...
Os olhos vidrados
Nas primeiras formas
Que reconhecia há anos
E rastros de cores
Surgiram
Enquanto nossos corpos
Se misturavam
E não eram apenas cores
Eram luzes
Que valsavam entre nós
Se infiltravam
Em nossas peles
Anoiteci
E o despertar
Me trouxe um universo
Novo
Todas as cores
Do meu mundo
Lindas
E, todas elas, refletiam você.
domingo, 15 de agosto de 2010
Lilian (Capítulo 2)
Então continuou aquela amizade, sabe? A gente se via, batia papo, mas só nos beijávamos meio que escondidas. Lilian tinha medo da reação das pessoas; Eu não, mas não me importava tanto em ser segredo, desde que estivesse com ela.
E teve a chopada do segundo período de 2006. Fui me arrumar no pensionato de Lilian. Foi assustador olhar as Bíblias em cima das camas das meninas que dividiam quarto com ela. E eu nunca fui muito boa dando pala de hétero, mas todo esforço valia a pena. Entramos no banheiro. Dois chuveiros. Uma de frente para a outra. Demorei anos pra desmontar a visão dela, ali, nua, sorrindo, correndo o sabonete pelo corpo. Conversávamos enquanto tomávamos banho. Riamos juntas.
E nos aprontamos. Ela de blusa preta, calça jeans (ou era saia?); Acho que eu também, mas usava uma coroa na cabeça. Achava que ia me dar uma vibe bem Courtney Love, no “Live Through This”.
No caminho, passamos na casa da Mari e no mercado. Como boas bebuns com pouco dinheiro: 51 e refrigerante, antes da cerveja. Paramos na Cantareira pra comer um X-tudo, quando ouvimos um senhor bêbado falar com a gente “Senhoritas, desculpe incomodar, mas vocês podem me arrumar 50 centavos pra eu comprar uma pinga?”. Pedi pra ele arrumar um copo “Te dou da minha pinga, amigo, só porque você foi sincero”. Ele não acreditou muito. Soltou um “Tu não tem pinga...” e eu mostrei a garrafa de 51. Dei um pouco de cachaça pra ele e entramos no campus.
A galera toda lá, esperávamos que fosse divertido, né? A banda que tocava era boa, mas vamos assumir que a versão do “Frente” pra “Love Bizarre Triangle” não é o tipo de música mais animada pra uma chopada, né? Encostaram um carro vermelho que ficou tocando funk. E aí teve aquele momento bem high school em que as meninas dançavam juntas e os meninos do nosso período ficaram em fila, decidindo quem ia chegar em quem. Foi aí que Lilian virou lenda, tirando todas as menininhas do armário.
Eu só não sabia se me focava no coração partido de descobrir, ali, a força da minha paixonite por Lilian, enquanto ela beijava as outras meninas, ou se nas caras de chocados/frustrados dos garotos.
As coisas foram indo, mas não dava mais para ser como antes. Menina homofóbica com medo de pegar o elevador com a gente, a galera dizendo que a gente queria aparecer e eu com um medo absurdo de ver Lilian com outro alguém.
Numa tarde, embaixo do tablado, no bloco “O”. O momento mais brega da minha vida. Acho que um dos mais felizes também. Lembro de voltar pra casa com a sensação de quem é dono do mundo; de quem é rei e pode o que quiser. Eu a abraçava. Ela de pé, eu sentada no tablado. E cantei...
“Why don't you be my girlfriend
I'll treat you good
I know you hear your friends when they say you should
'Cause if you were my girlfriend
I'd be your shining star
The one to show you where you are
Girl you should be my girlfriend…”
E teve a chopada do segundo período de 2006. Fui me arrumar no pensionato de Lilian. Foi assustador olhar as Bíblias em cima das camas das meninas que dividiam quarto com ela. E eu nunca fui muito boa dando pala de hétero, mas todo esforço valia a pena. Entramos no banheiro. Dois chuveiros. Uma de frente para a outra. Demorei anos pra desmontar a visão dela, ali, nua, sorrindo, correndo o sabonete pelo corpo. Conversávamos enquanto tomávamos banho. Riamos juntas.
E nos aprontamos. Ela de blusa preta, calça jeans (ou era saia?); Acho que eu também, mas usava uma coroa na cabeça. Achava que ia me dar uma vibe bem Courtney Love, no “Live Through This”.
No caminho, passamos na casa da Mari e no mercado. Como boas bebuns com pouco dinheiro: 51 e refrigerante, antes da cerveja. Paramos na Cantareira pra comer um X-tudo, quando ouvimos um senhor bêbado falar com a gente “Senhoritas, desculpe incomodar, mas vocês podem me arrumar 50 centavos pra eu comprar uma pinga?”. Pedi pra ele arrumar um copo “Te dou da minha pinga, amigo, só porque você foi sincero”. Ele não acreditou muito. Soltou um “Tu não tem pinga...” e eu mostrei a garrafa de 51. Dei um pouco de cachaça pra ele e entramos no campus.
A galera toda lá, esperávamos que fosse divertido, né? A banda que tocava era boa, mas vamos assumir que a versão do “Frente” pra “Love Bizarre Triangle” não é o tipo de música mais animada pra uma chopada, né? Encostaram um carro vermelho que ficou tocando funk. E aí teve aquele momento bem high school em que as meninas dançavam juntas e os meninos do nosso período ficaram em fila, decidindo quem ia chegar em quem. Foi aí que Lilian virou lenda, tirando todas as menininhas do armário.
Eu só não sabia se me focava no coração partido de descobrir, ali, a força da minha paixonite por Lilian, enquanto ela beijava as outras meninas, ou se nas caras de chocados/frustrados dos garotos.
As coisas foram indo, mas não dava mais para ser como antes. Menina homofóbica com medo de pegar o elevador com a gente, a galera dizendo que a gente queria aparecer e eu com um medo absurdo de ver Lilian com outro alguém.
Numa tarde, embaixo do tablado, no bloco “O”. O momento mais brega da minha vida. Acho que um dos mais felizes também. Lembro de voltar pra casa com a sensação de quem é dono do mundo; de quem é rei e pode o que quiser. Eu a abraçava. Ela de pé, eu sentada no tablado. E cantei...
“Why don't you be my girlfriend
I'll treat you good
I know you hear your friends when they say you should
'Cause if you were my girlfriend
I'd be your shining star
The one to show you where you are
Girl you should be my girlfriend…”
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Lilian (Capítulo 1)
Lilian foi um presente inesperado. Um presente filho da puta, daqueles que te alegra, te diverte e te faz sentir estúpida. Aliás, continua sendo.
Com ela, passei as melhores tardes, à beira da baía, olhando o pôr-do-sol, ou seus olhos azuis. Com ela, comecei a ouvir Dresden Dolls, porque ela tem a mesma mania chata que eu, de empurrar seu gosto musical pros amigos, porque é impossível alguém ser tão legal e não curtir as melhores músicas do mundo. Com ela eu aprendi o que é amar, e simplesmente amar, “no matter what”. Com ela percebi que as relações não acabam com um coração partido.
E o meu foi bem partido.
Tudo começou com um livro. 1984 – George Orwell. Ela fez a referência, eu pesquei. Depois disso, a UFF era nossa. Nossos papos, reflexões. Nosso desprezo pelas mentes medíocres disfarçadas em erudição.
E trocávamos textos: Ela e o erotismo; Eu e as letras de música. Comentávamos frase a frase. E eu arrumava desculpas pra chegar em casa 6h depois do que devia. Eram horas mágicas: Segredos, piadas, observações. Tudo era rodeado de uma aura dourada. Pra mim, era descobrir um mundo dentro de um mundo que eu já conhecia.
Era 2006 e nenhuma de nós ainda tinha tatuagem. Acho que ela ouviu falar do Mafueira*, não lembro se postumamente ou não. Ainda não havia Nuvens Negras**. Nada. E a gente só batia papo. Eu tinha um namorado. Ela também. Felipe e Hugo. Eu falava mal do meu, ela falava bem do dela (ou era o contrário?).
E teve um churrasco. Lilian tinha acabado de terminar. Eu também. Mas, antes, prova de História Medieval. Saí da prova, ainda em jejum, procurando bebida. No meio do vinho, da vodca e da cerveja, a encontrei.
E eu peguei a Courtneyzinha*** e pedi silêncio “Pra eu tocar uma música pros seus lindos olhos azuis”.
E eu não me lembro de muita coisa, depois de ter fumado um (foi a minha primeira vez), logo depois disso, mas lembro que ela estava ali, cuidando de mim. Lembro de rolar na grama com o Taiguara e de pegar o Pinga. Lembro de falar pra Flávia jogar água no meu cabelo e de surtar porque “eu não posso ficar feia”.
Mas, eu lembro mesmo foi de Lilian sentando no meu colo, naquelas mesinhas que a obra do campus pôs abaixo, e me beijando, assim, do nada. E eu achava q era sonho, que era viagem. E eu perguntei: “por quê?”. Ela respondeu: “como assim? Você pediu, depois de cantar ‘Miss You Love’ olhando pra mim”.
Fiquei confusa. Jurava que Lilian era hétero.
________________________________________
*Mafueira = A banda que eu tinha até metade de 2006 (nunca chegou a fazer show)
**Nuvens Negras = Última banda que eu tive (fez alguns shows bem bacanas)
***Courtneyzinha = Meu violão de criança.
Com ela, passei as melhores tardes, à beira da baía, olhando o pôr-do-sol, ou seus olhos azuis. Com ela, comecei a ouvir Dresden Dolls, porque ela tem a mesma mania chata que eu, de empurrar seu gosto musical pros amigos, porque é impossível alguém ser tão legal e não curtir as melhores músicas do mundo. Com ela eu aprendi o que é amar, e simplesmente amar, “no matter what”. Com ela percebi que as relações não acabam com um coração partido.
E o meu foi bem partido.
Tudo começou com um livro. 1984 – George Orwell. Ela fez a referência, eu pesquei. Depois disso, a UFF era nossa. Nossos papos, reflexões. Nosso desprezo pelas mentes medíocres disfarçadas em erudição.
E trocávamos textos: Ela e o erotismo; Eu e as letras de música. Comentávamos frase a frase. E eu arrumava desculpas pra chegar em casa 6h depois do que devia. Eram horas mágicas: Segredos, piadas, observações. Tudo era rodeado de uma aura dourada. Pra mim, era descobrir um mundo dentro de um mundo que eu já conhecia.
Era 2006 e nenhuma de nós ainda tinha tatuagem. Acho que ela ouviu falar do Mafueira*, não lembro se postumamente ou não. Ainda não havia Nuvens Negras**. Nada. E a gente só batia papo. Eu tinha um namorado. Ela também. Felipe e Hugo. Eu falava mal do meu, ela falava bem do dela (ou era o contrário?).
E teve um churrasco. Lilian tinha acabado de terminar. Eu também. Mas, antes, prova de História Medieval. Saí da prova, ainda em jejum, procurando bebida. No meio do vinho, da vodca e da cerveja, a encontrei.
E eu peguei a Courtneyzinha*** e pedi silêncio “Pra eu tocar uma música pros seus lindos olhos azuis”.
E eu não me lembro de muita coisa, depois de ter fumado um (foi a minha primeira vez), logo depois disso, mas lembro que ela estava ali, cuidando de mim. Lembro de rolar na grama com o Taiguara e de pegar o Pinga. Lembro de falar pra Flávia jogar água no meu cabelo e de surtar porque “eu não posso ficar feia”.
Mas, eu lembro mesmo foi de Lilian sentando no meu colo, naquelas mesinhas que a obra do campus pôs abaixo, e me beijando, assim, do nada. E eu achava q era sonho, que era viagem. E eu perguntei: “por quê?”. Ela respondeu: “como assim? Você pediu, depois de cantar ‘Miss You Love’ olhando pra mim”.
Fiquei confusa. Jurava que Lilian era hétero.
________________________________________
*Mafueira = A banda que eu tinha até metade de 2006 (nunca chegou a fazer show)
**Nuvens Negras = Última banda que eu tive (fez alguns shows bem bacanas)
***Courtneyzinha = Meu violão de criança.
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